Trégua Trump-Xi sob risco com foco dos EUA em estudantes e tech
- 30/05/2025
(Bloomberg) -- oucas semanas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar um “recomeço total” com a China após uma trégua comercial em Genebra, as tensões voltam a crescer entre as maiores economias do mundo.
O governo Trump anunciou na quarta-feira que começaria a revogar vistos de estudante chineses, enquanto introduzia novas restrições à venda de softwares de design de chips e, supostamente, algumas peças de motores a jato para a China. Isso ocorreu logo após tentar impedir a Huawei Technologies de vender chips avançados de IA em qualquer lugar do mundo, provocando uma repreensão furiosa de Pequim.
“Genebra foi positiva porque ambos os lados estão oficialmente conversando entre si”, disse Alfredo Montufar-Helu, consultor senior do Centro da China no Conference Board. “Mas as negociações não lidaram realmente com as questões centrais que estão impulsionando a competição entre os dois lados. A principal delas — o domínio tecnológico.”
Embora os negociadores americanos e chineses tenham reduzido as tarifas de níveis exorbitantes por 90 dias, eles ainda precisam fechar um acordo para reequilibrar o comércio — o que levou anos no primeiro mandato de Trump. Ambos os lados também discordam sobre o papel de Pequim no comércio ilegal de fentanil, bem como nos controles de terras raras e chips.
Em um sinal de que qualquer acordo maior está distante, Trump ainda não conversou com seu colega chinês desde que retornou ao cargo, apesar de ter sugerido diversas vezes que tal ligação era iminente.
A repressão aos estudantes chineses — o segundo maior grupo internacional nos EUA — foi revelada pelo secretário de Estado Marco Rubio, que antes de assumir o cargo foi sancionado duas vezes por Pequim. Isso dissipou qualquer ideia de que os linha-dura contra a China dentro do governo Trump estejam perdendo influência, depois que autoridades comerciais na Suíça demonstraram preferência por acordos com Pequim.
O Ministério das Relações Exteriores da China chamou a política de vistos de “discriminatória” em um briefing regular em Pequim nesta quinta-feira, com a porta-voz Mao Ning afirmando que isso “só prejudicaria ainda mais” a reputação global dos Estados Unidos. Essa resposta relativamente contida, junto com o fato de as autoridades não terem sinalizado nenhuma retaliação, sugere que Pequim está tentando evitar que os laços bilaterais entrem em nova crise.
Ainda assim, a decisão de submeter os estudantes chineses a um novo escrutínio destaca a profunda desconfiança que permeia os laços bilaterais, com republicanos e democratas agora vendo a China como uma grande ameaça à segurança americana. Por sua vez, Pequim lançou uma campanha anti-espionagem que traz uma ampla rede de suspeitas sobre estrangeiros, especialmente dos EUA.

John Moolenaar, chairman do Comitê Seleto da Câmara sobre o Partido Comunista Chinês, negou que as ações dos EUA tenham sido planejadas para atingir pessoas comuns no país asiático. “É a agressão do Partido Comunista Chinês que estamos reagindo”, disse ele à Bloomberg TV.
Moolenaar representa parlamentares americanos céticos quanto à influência da China nos EUA, inclusive em campi universitários em todo o país. Ele acusou Pequim de fazer com que estudantes chineses atuem em seu favor e, antes neste mês, coassinou uma carta à Universidade de Harvard exigindo informações sobre suas ligações com a China.
“O objetivo final é ter um relacionamento com a China que reconheça a realidade de que seu governo está se movendo em uma direção muito diferente da prometida”, acrescentou ele.
Moolenaar conseguiu o que queria quando Trump decidiu impedir Harvard de matricular estudantes internacionais devido a alegações de que a liderança da universidade havia se coordenado com o Partido Comunista. Parlamentares dos EUA alegam que a universidade treinou membros de uma empresa sancionada por supostos abusos relacionados a direitos humanos.
--Com a colaboração de Haslinda Amin, Qianwei Zhang, Allen Wan, Minmin Low e Lucille Liu.
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