CEO que comemorou demissão de 700 funcionários para usar IA teve prejuízo estimado em US$ 99 milhões
- 26/05/2025
CEO que comemorou demissão de 700 funcionários para usar IA teve prejuízo estimado em US$ 99 milhões
IGN Brasil
Meses após comemorar a substituição de 700 funcionários por inteligência artificial e divulgar dados pessoas de muitos desses funcionários no LinkedIn, o CEO da Klarna, Sebastian Siemiatkowski, vê seu plano desmoronar. A fintech sueca registrou um prejuízo líquido de US$ 99 milhões no primeiro trimestre de 2025, praticamente o dobro das perdas do mesmo período no ano anterior, e agora enfrenta críticas intensas, reversões estratégicas e riscos crescentes no seu modelo de negócios.
A Klarna, que popularizou o modelo “compre agora, pague depois”, apostava na redução de 40% da sua força de trabalho como um movimento de inovação e eficiência. A decisão foi acompanhada por uma campanha que exaltava os ganhos trazidos pela IA — incluindo um avatar virtual do próprio CEO apresentando os resultados trimestrais. Mas os números falam mais alto: as perdas com inadimplência aumentaram 17%, alcançando US$ 136 milhões, em meio à crise de crédito nos EUA, um dos mercados centrais da empresa.
Perda na qualidade de seus atendimentos
Além do rombo nas finanças, a Klarna enfrentou deterioração na qualidade de seu atendimento ao cliente, o que forçou a recontratação de humanos em áreas estratégicas. A substituição por IA — promovida como um salto de produtividade — gerou reclamações, queda nas avaliações públicas e manchou a imagem da empresa, comprometendo inclusive seus planos de IPO. Inicialmente avaliada em mais de US$ 15 bilhões, a Klarna adiou sua estreia na bolsa diante da turbulência do mercado e do desgaste reputacional.
Embora a receita da empresa tenha crescido 13%, alcançando US$ 701 milhões, os custos com depreciação, pagamentos baseados em ações e reestruturação ofuscaram os avanços. A fintech, que mantém parceria com a OpenAI e já promoveu seu assistente de IA como solução de ponta no atendimento, agora parece dar um passo atrás diante dos efeitos colaterais de uma transformação radical demais — e rápida demais.
Na tentativa de reposicionar a marca e recuperar a confiança, a Klarna enfrenta agora o desafio de equilibrar inovação e responsabilidade, em um cenário onde nem mesmo a inteligência artificial pode evitar as consequências de decisões mal calculadas.
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