Polícia de Tarcísio não pediu ao Coaf dados da produtora de filme sobre Bolsonaro

  • 13/09/2026

Polícia de Tarcísio não pediu ao Coaf dados da produtora de filme sobre Bolsonaro

Polícia de Tarcísio não pediu ao Coaf dados da produtora de filme sobre Bolsonaro

Rede Viva News

A Polícia Civil de São Paulo incluiu a Go Up Entertainment no radar da investigação, mas decidiu não pedir ao Coaf os dados financeiros da empresa responsável pelo filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.

A produtora foi mencionada nas apurações sobre o destino dos recursos recebidos pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), mas ficou fora da solicitação encaminhada ao órgão de inteligência financeira.

A Go Up é comandada por Karina Ferreira da Gama, que também preside o ICB. O instituto recebeu R$ 69 milhões da Prefeitura de São Paulo, na gestão Ricardo Nunes (MDB), para a instalação e manutenção de pontos de Wi-Fi gratuito em comunidades de baixa renda.

A relação entre as duas estruturas chamou a atenção dos investigadores. Os documentos apontam que elas funcionam no mesmo endereço e registram uma “aparente inexistência de separação estrutural e operacional”. A polícia também levantou a possibilidade de que recursos do instituto pudessem ter chegado a Karina ou a empresas relacionadas a ela.

Foi nesse contexto que, em 22 de maio, a Polícia Civil pediu autorização judicial para obter relatórios do Coaf. As buscas que resultaram na apreensão de celulares, computadores e documentos ocorreram em 1º de junho. Até o início de setembro, porém, os dados financeiros ainda não haviam sido disponibilizados à investigação.

Na delimitação do pedido, a Go Up acabou ficando de fora. Em manifestação posterior, o delegado foi explícito ao afirmar que a polícia “não pretende […] a obtenção de dados do Coaf da Go Up Entertainment Ltda., mas sim, e tão somente, do Instituto Conhecer Brasil e de sua representante legal”.

A posição chama atenção porque a própria investigação havia relacionado a Go Up às apurações sobre o ICB. Em 28 de agosto, ao analisar o pedido financeiro, o juiz Nelson Augusto Bernardes de Souza cobrou justamente que a polícia apresentasse elementos capazes de sustentar as suspeitas e determinou esclarecimentos sobre a relação entre os recursos do instituto e a produtora de Dark Horse.

A investigação sobre o filme também aparece nos documentos como uma das questões que cercaram o caso, embora a Polícia Civil tenha registrado, em portaria de 31 de março, que as referências a projetos audiovisuais e relações políticas “não constituíam, naquele momento, objeto específico” da apuração.

A apuração paulista ganhou novo contorno em agosto, quando o ministro Flávio Dino autorizou o compartilhamento das provas com a Polícia Federal. Em 10 de setembro, ele avocou a competência para supervisionar o inquérito e a medida cautelar de busca e apreensão, determinando a remessa integral dos autos ao Supremo.

Apesar dos vínculos apontados nos documentos, não há, nesse material, comprovação de que dinheiro do contrato do Wi-Fi tenha sido destinado à produção de Dark Horse. O que aparece é uma relação investigada pela polícia e que ainda dependia de elementos documentais para ser demonstrada. História de Raony Salvador Revista Fórum.


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