Cúpula do PT quer Lula mais agressivo no tête-à-tête com Flávio no último debate da campanha

  • 20/10/2026

Cúpula do PT quer Lula mais agressivo no tête-à-tête com Flávio no último debate da campanha

Lula e Flávio em debate: troca de acusações e nenhuma proposta. Foto: Werther Santana/Estadão Foto: Werther Santana/Werther Santana/Estadao

Rede Viva News

BRASÍLIA – A cúpula da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva quer que o presidente adote tom mais duro no último debate com o adversário Flávio Bolsonaro (PL), marcado para sexta-feira, 23, na TV Globo. A estratégia de Lula na derradeira semana da corrida eleitoral consiste em emparedar Flávio e mostrar que ele não tem “preparo” para governar o País.

O presidente vai insistir todos os dias, em entrevistas e nas redes sociais, para que o senador aceite o seu desafio de abrir o sigilo bancário e telefônico. Foi do próprio Lula a ideia de propor a abertura do sigilo dele e de seus filhos e pedir ao senador que tomasse a mesma atitude. A proposta foi apresentada no debate da Band/Estadão, neste domingo, marcado por troca de acusações e ausência de propostas para o País.

Embora a sugestão seja classificada pela campanha de Flávio como uma “jogada de marketing”, o fato é que a hashtag #AbreosigiloFlavio viralizou nas redes sociais. No diagnóstico da equipe petista, este foi um ponto a favor de Lula, que pretende empurrar a corrupção para o colo do adversário.

Em reunião realizada nesta segunda-feira, 19, coordenadores da campanha do presidente admitiram que ele perdeu oportunidades de ser mais incisivo com Flávio em várias situações, como, por exemplo, na questão da segurança pública.

Aliados do presidente afirmam que a oposição tentou minar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança – que foi aprovada pela Câmara em março e só agora está em tramitação no Senado – para não jogar água no moinho do governo nesta reta final da campanha. 

Na tentativa de se contrapor a essa articulação, o líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), propôs a redução da maioridade penal, de 18 para 16 anos, para crimes hediondos.

Com o movimento, Lula deu uma guinada no discurso sobre o assunto, uma vez que o PT sempre foi contra a redução da maioridade penal. Diante do impasse, no entanto, a votação no Senado foi adiada. Agora, a tendência é que só seja retomada após as eleições.

Mesmo assim, a campanha de Lula avalia que ele não pode deixar Flávio tirar dividendos políticos do tema da segurança. A intenção é associar o candidato do PL a milícias do Rio de Janeiro e à defesa do policial denunciado pelo assassinato da menina Ana Clara, de 5 anos, atingida por tiros de fuzil quando brincava com o irmão na porta de casa, em Niterói, em 2021. Advogado, Flávio integrou a defesa do policial e assinou, em 2024, um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra a decisão de levá-lo a júri popular.

Pesquisas qualitativas feitas pela campanha de Lula após o debate da Band/Estadão mostraram que eleitores consideraram desrespeitosa a forma como Flávio tratou o presidente.

Durante todo o debate, o senador andou atrás dele, fazendo gestos de desaprovação para a plateia e as câmeras, na tentativa de desestabilizá-lo. Os levantamentos que chegaram ao comitê de Lula indicaram que Flávio passou do ponto na agressividade, transmitindo uma imagem de arrogância.

“Se uma pessoa que quer ser candidato à Presidência da República trata o presidente assim, como vai tratar o povo?”, indagou o líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), um dos coordenadores da campanha de Lula.

Flávio copiou a estratégia adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 2016. À época candidato, Trump se posicionou atrás de Hillary Clinton e circulou de um lado para o outro durante o segundo debate da disputa pela Casa Branca. Hillary chegou a dizer, na ocasião, que Trump estava literalmente respirando no seu “cangote”.

As sondagens feitas pelo PT para medir impressões após o debate da Band/Estadão revelaram que eleitores viram como “etarista” e “discriminatória” a atitude de Flávio, de 45 anos, ao pedir para Lula, de 80, olhar para determinada câmera durante o debate. O objetivo do senador era mostrar que o adversário estava perdido.

Não foram poucos os que avaliaram que, ao apelar para a intimidação, Flávio transmitiu uma imagem debochada, preconceituosa e sem seriedade para ocupar o mais alto cargo da República. História de Vera Rosa, Estadão.


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