Zelenski ignora Trump, retoma ataque contra refinarias russas e amplia tensão com EUA
- 15/10/2026
O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski. Foto: Thomas Traasdahl/AFP
Rede Viva News
KIEV - Drones ucranianos atingiram nesta quinta-feira, 15, uma refinaria de petróleo na região russa de Ryazan. O ataque, que provocou um incêndio na instalação localizada a 300 km a sudeste de Moscou, marca o primeiro bombardeio ucraniano contra alvos de energia da Rússia após uma trégua anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, na semana passada.
O bombardeio ocorre também num momento em que Kiev está sob pressão de novos ataques russos com drones a jat oe depois de ter perdido acesso completo à rede de internet via satélite Starlink, de Elon Musk.
Em entrevista ao jornalista britânico Piers Morgan, na quarta-feira, 14, Zelenski afirmou que a Ucrânia retomaria os ataques contra refinarias russas. A declaração ocorreu após novos bombardeios de Moscou contra a infraestrutura energética ucraniana, apesar da proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que os dois países interrompessem os ataques do setor.
Na madrugada desta quinta-feira, a Rússia lançou mais de 850 drones contra a Ucrânia, segundo Zelenski. Três pessoas morreram e outras seis ficaram feridas em ataques que duraram mais de dez horas, de acordo com o Serviço de Emergência ucraniano. O presidente afirmou que ofensivas russas atingiram 15 regiões do país.
A Força Aérea ucraniana informou ter interceptado 536 drones russos, mas registrou impactos em 31 locais. Zelenski acusou Moscou de intensificar deliberadamente os ataques após obter alívio de sanções e diante das tentativas de Washington de pressionar Kiev.
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou, por sua vez, que suas defesas aéreas abateram 166 drones ucranianos durante a noite. O órgão também declarou que forças russas atingiram duas embarcações que transportavam carga militar.
Os ataques ocorrem em meio à deterioração das relações entre Kiev e Washington. Zelenski criticou Trump por um acordo envolvendo a importação de diesel russo e pelas restrições ao acesso ucraniano a informações de inteligência ocidentais. O presidente também reclamou de limitações impostas ao uso dos terminais de comunicação Starlink, fabricados pela empresa de Elon Musk.
Na conversa com Piers Morgan, o presidente ucraniano afirmou que se sentia traído pelo acordo entre Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, e pelas decisões recentes de Washington.
Recentemente, Trump anunciou que compraria diesel russo para amenizar a alta de combustíveis provocada pela guerra no Irã.
“É doloroso quando o presidente Trump escolhe um lado, e não o nosso”, disse Zelenski, acrescentando que a Ucrânia precisa contar com os Estados Unidos e outros parceiros estratégicos para continuar se defendendo. /AP História de Redação Estadão.














