Fernández chama Milei de “energúmeno” após crise entre Brasil e Argentina
- 27/07/2026
Davos-Klosters, Suíça, 17 de janeiro 2024 Javier Milei, Presidente da Argentina e Klaus Schwab, Fundador e Presidente Executivo do Fórum Econômico Mundial falando no discurso especial de Javier Milei, Presidente da sessão da Argentina na Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial de 2024 emSala Plenária. Direitos autorais: Fórum Econômico Mundial/Ciaran McCrickard
Rede Viva News
BPMoney - O ex-presidente da Argentina Alberto Fernández chamou o atual presidente do país, Javier Milei, de “energúmeno” em uma publicação nas redes sociais. A declaração ocorreu após a tentativa de Milei de visitar o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
Em uma postagem na rede social X, Fernández respondeu às críticas que comparavam a tentativa de visita de Milei a Bolsonaro com sua ida a Curitiba, em 2018, para encontrar o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava preso na época.
Sobre a viagem
Segundo Fernández, as duas situações são diferentes. Enquanto ele afirmou ter visitado Lula para defender a liberdade de um “inocente”, o argentino disse que Milei foi ao Brasil para apoiar “um golpista preso”.
“Milei foi ao Brasil para gritar como um energúmeno, exigindo ver um golpista preso. Eu fui a Curitiba exigindo a liberdade de um inocente”, escreveu Fernández.
Além disso, o ex-presidente argentino afirmou que as declarações de Milei contra Lula e as instituições brasileiras prejudicam a relação entre os dois países. “Insultar o presidente de um país irmão e principal sócio comercial não tem perdão”, publicou.
A visita de Milei a Bolsonaro, contudo, não ocorreu. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, proibiu visitas de caráter político-eleitoral ao ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar.
A restrição foi determinada após Flávio Bolsonaro divulgar uma carta escrita pelo pai. De acordo com Moraes, a divulgação do documento violou as regras impostas durante a prisão domiciliar.
Visita de Milei gera tensão diplomática
A passagem de Javier Milei pelo Brasil no sábado (25) provocou uma crise diplomática entre os dois principais países da América do Sul.
Na ocasião, o presidente argentino participou da convenção do Partido Liberal (PL), em São Paulo. O evento oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
Durante o discurso, Milei criticou o socialismo, defendeu a chamada “onda azul” na América Latina e atacou Alexandre de Moraes após ter a visita a Bolsonaro negada.
Além disso, o argentino associou a candidatura de Flávio Bolsonaro a uma transformação política na região. Milei também fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em resposta, o governo brasileiro chamou o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para consultas em Brasília. Ao mesmo tempo, o Itamaraty convocou o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para transmitir a insatisfação do governo e pedir explicações.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o episódio foi classificado como “sem precedentes” e “lamentável”. A pasta afirmou que não há registros recentes de um presidente estrangeiro fazer críticas ao chefe de Estado brasileiro, às instituições democráticas e ao Judiciário em território nacional.
Brasil mantém diálogo diplomático
Apesar da tensão, o governo brasileiro não adotou medidas diplomáticas mais duras, como a retirada da representação brasileira na Argentina.
Segundo o chanceler Mauro Vieira, as declarações de Milei foram “ríspidas, grosseiras e inaceitáveis”. Além disso, ele afirmou que a fala representou uma interferência em assuntos internos do Brasil.
Por fim, Vieira destacou que o governo pretende preservar os canais de diálogo com a Argentina. Dessa forma, Brasília busca esclarecimentos por meio das vias diplomáticas, sem interromper a comunicação entre os dois países.
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