Vamos explodir: PF abre inquérito para investigar incêndio na UFPE após ameaças de bolsonaristas
- 08/10/2026
“Vamos explodir”: PF abre inquérito para investigar incêndio na UFPE após ameaças de bolsonaristas
Rede Viva News
A Polícia Federal (PF) instaurou inquérito para apurar as causas do incêndio que atingiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, na noite de quarta-feira (7). O fogo consumiu equipamentos, amostras e pesquisas científicas sem deixar vítimas. A investigação ganhou contornos políticos depois que parlamentares, como o deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE), relataram que estudantes teriam recebido ameaças explícitas horas antes do incêndio, com referências à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e menções a “explodir o departamento”.
Incêndio na UFPE e a investigação da PF
O incêndio de grandes proporções atingiu o antigo edifício da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine) da UFPE, na Cidade Universitária, Zona Oeste do Recife, na noite de quarta-feira (7). O prédio concentrava laboratórios das áreas de fármacos, informática e genética, além de estruturas vinculadas ao Núcleo de Inovação Terapêutica. O Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco empregou oito viaturas no combate às chamas e só deixou o local por volta das 5h da manhã de quinta-feira (8). Não houve vítimas.
A PF confirmou, em nota, que instaurará inquérito policial para apurar todas as circunstâncias e as possíveis causas do incêndio. A corporação informou que já mantém tratativas com o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, e com o comandante do Corpo de Bombeiros, e que uma equipe de peritos federais se deslocou ao campus para examinar o local
Ameaças bolsonaristas
Segundo Jones Manoel (PSOL-PE), estudantes da UFPE teriam recebido mensagens com ameaças explícitas contra departamentos da universidade horas antes do incêndio. De acordo com o deputado eleito, as mensagens incluíam a frase “explodir o departamento” e faziam referência direta à candidatura de Flávio Bolsonaro. A autoria e a autenticidade das mensagens não foram oficialmente confirmadas. Jones Manoel afirmou que pretende solicitar à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal uma investigação imediata sobre as ameaças e a possibilidade de o incêndio ter origem criminosa, e pediu que outros estudantes que tenham recebido mensagens semelhantes apresentem os registros.
https://x.com/jonesmanoel_PE/status/2107991434137928123
O incêndio ocorreu um dia após estudantes da UFPE realizarem um ato contra Flávio Bolsonaro no campus, em meio a uma sequência de mobilizações pró-Lula na universidade. O contexto político ganhou uma camada adicional com a revelação, publicada pelo Blog do Ricardo Antunes na terça-feira (6), de que o deputado federal eleito Thiago Medina (PL-PE), aliado de Flávio Bolsonaro, havia declarado estar organizando grupos anti-Lula em universidades pernambucanas para atuar no segundo turno das eleições. Medina nega qualquer envolvimento com o incêndio ou com as ameaças dirigidas a estudantes. Não há, até o momento, elementos que permitam afirmar relação causal entre as ameaças, a atuação dos grupos e o incêndio.
Impacto e outros incidentes
O reitor Alfredo Gomes acompanhou o trabalho dos bombeiros e confirmou que equipamentos, amostras e trabalhos acadêmicos foram atingidos. O levantamento dos prejuízos ainda está em andamento. Jones Manoel destacou que o prédio abrigava amostras de projetos sobre câncer, obesidade, Covid-19, TDAH e autismo, além de trabalhos de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que o MEC acompanha o caso e está em contato com a reitoria, colocando a pasta à disposição da universidade. O advogado-geral da União, Jorge Messias, determinou que a Procuradoria-Geral Federal designe uma comissão de procuradores para acompanhar as apurações e adotar, se necessário, as medidas jurídicas cabíveis.
“Trabalhos de anos, projetos de IC, de mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos foram perdidos”, escreveu Jones Manoel ao relatar o incêndio e as ameaças que o antecederam.
O incêndio de quarta-feira foi o terceiro registrado na UFPE em pouco mais de uma semana. Em 30 de setembro, um laboratório do Departamento de Física foi atingido, com a instituição apontando como possível origem uma câmara de alta temperatura. Em 5 de outubro, outro fogo atingiu o Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. Nenhum dos dois episódios anteriores deixou vítimas. A recorrência dos incidentes é um dos pontos que a investigação da Polícia Federal deverá esclarecer. História de Ivan Longo Revista Fórum.














