Joaquim Barbosa toma decisão sobre candidatura à Presidência da República

  • 18/07/2026

Joaquim Barbosa toma decisão sobre candidatura à Presidência da República

Joaquim Barbosa toma decisão sobre candidatura à Presidência da República

Rede Viva News

Revista Fórum - O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa desistiu de disputar a Presidência da República nas eleições de 2026. A decisão foi comunicada ao Democracia Cristã (DC), partido ao qual se filiou em abril, após pedidos de alianças e investimentos não evoluírem como esperado. Barbosa enviou uma mensagem ao presidente da legenda, João Caldas, formalizando a desistência às vésperas do início do período de convenções partidárias, que começa em 20 de julho.

A desistência de Joaquim Barbosa

Segundo apuração de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Joaquim Barbosa enviou uma mensagem ao presidente do Democracia Cristã, João Caldas, comunicando que não será candidato à Presidência da República. A decisão encerra uma tentativa que durou pouco mais de três meses: Barbosa havia se filiado ao DC em abril para debater a possibilidade de concorrer ao Palácio do Planalto.

A desistência tem motivação objetiva. Os pedidos feitos pelo ex-ministro ao partido, especialmente a formação de alianças com outras legendas e a garantia de investimentos para a campanha, não avançaram. Sem essa base, Barbosa avaliou que as condições mínimas para uma candidatura viável simplesmente não existiam, e optou por formalizar a saída antes do início das convenções.

A versão do Democracia Cristã

O presidente do DC, João Caldas, apresentou uma versão diferente ao SBT News: afirmou que continua trabalhando pela candidatura de Barbosa e que o ex-ministro não lhe comunicou qualquer desistência. “O que ele disse é o que diz sempre, que só se lançará com estrutura para a campanha”, declarou Caldas ao SBT News, reconhecendo, com isso, que o partido ainda não conseguiu oferecer essa estrutura.

A divergência entre as duas versões é reveladora. Enquanto Barbosa teria formalizado sua saída por mensagem, segundo a apuração de Mônica Bergamo, o presidente do DC age como se a candidatura ainda estivesse em aberto. Caldas indicou ao SBT News que o partido tentará construir a estrutura necessária até o encerramento do prazo das convenções, em 5 de agosto, e questionou publicamente por que legendas como União Brasil, PP, Republicanos e MDB não consideram uma coligação em torno do nome de Barbosa. Não há, porém, qualquer sinalização concreta desses partidos nesse sentido.

Condições não atendidas e crise interna

As condições que Barbosa estabeleceu para concorrer eram claras. Em maio, ele afirmou à coluna de Mônica Bergamo que “precisaria sentir boa receptividade” do eleitorado, e acrescentou: “Caso o partido [DC] consiga estabelecer alianças com outras legendas que o permitam ter tempo de TV e recursos, as condições estarão dadas.” Nenhuma das duas premissas se concretizou. O DC não firmou alianças, não reuniu recursos e não construiu a estrutura que pudesse dar visibilidade à pré-candidatura. O resultado apareceu nas pesquisas: Barbosa marcou 1% no Datafolha de junho, mesmo com levantamentos internos do partido que apontavam potencial de crescimento.

A tentativa de candidatura também deixou rastros de conflito dentro do próprio DC. Segundo apuração de Mônica Bergamo e do Brasil 247, a entrada de Barbosa no partido gerou uma crise imediata: o ex-deputado Aldo Rebelo, que já havia se lançado como pré-candidato à Presidência, classificou o ato como uma “afronta”, insistiu na candidatura e acabou expulso da legenda. Rebelo recorreu à Justiça e conseguiu ser reintegrado liminarmente ao DC. A sequência ilustra a tensão gerada quando um partido pequeno tenta atrair um nome de projeção sem ter base consolidada para acomodá-lo.

Cenário eleitoral

O calendário eleitoral tornou a decisão urgente. O período das convenções partidárias começa em 20 de julho e se encerra em 5 de agosto, e é nessa janela que os partidos definem oficialmente seus candidatos. Barbosa optou por formalizar a desistência antes desse prazo, evitando uma situação ainda mais constrangedora para o DC caso chegasse às convenções sem estrutura para lançá-lo.

A saída de Barbosa deixa o DC sem um candidato presidencial de peso. O partido ainda pode tentar uma articulação de última hora, mas o cenário é adverso: nenhum dos grandes partidos sinalizou interesse em coligar com a legenda. O PSD, que chegou a ser cogitado como parceiro estratégico para Barbosa, seguiu caminho próprio e lançou Ronaldo Caiado como seu candidato presidencial. O episódio reforça um padrão recorrente na política brasileira: candidaturas que não contam com o suporte de grandes estruturas partidárias e financeiras dificilmente saem do papel, independentemente do nome envolvido.


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