Split payment: entenda o sistema que será 170 vezes maior que o Pix na reforma tributária

  • 09/07/2026

Split payment: entenda o sistema que será 170 vezes maior que o Pix na reforma tributária

Brasília (DF), 30/06/2026 - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante o lançamento do Plano Safra 2026/2027, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Rede Viva News

BPMONEY - O split payment, uma das peças centrais da reforma tributária, será um sistema 170 vezes maior que o Pix, que hoje processa cerca de 300 milhões de operações por dia.

A ideia é simples de explicar e complexa de executar: separar automaticamente o valor dos tributos no momento da compra e direcionar a parcela devida aos cofres públicos em tempo real, assim que uma venda for concluída.

A magnitude da nova plataforma cresceu com o avanço do projeto. A estimativa inicial do Fisco era de um sistema 150 vezes maior que o Pix, mas a projeção subiu para 170 vezes.

Pelas contas do governo, a estrutura deve processar 70 bilhões de documentos por ano. Só neste ano, o Ministério da Fazenda deve gastar R$ 2 bilhões no desenvolvimento.

Dario Durigan, do Ministério da Fazenda, resume o tamanho do desafio.

‘O desenho desse sistema é hipercomplexo. A tecnologia envolvida no processo da Reforma Tributária é grande por parte do Estado. Estamos fazendo um trabalho brutal para desenvolver os sistemas, terminar as pactuações com estados e municípios e evitar o ruído federativo’, afirmou.

Como o novo sistema vai funcionar

Na prática, o split payment integra os meios de pagamento à emissão da nota fiscal. Quando uma compra for finalizada, o valor do imposto será fatiado e encaminhado de forma automática ao poder público, sem depender de repasse posterior por parte da empresa.

Fintechs e prestadores de serviço de pagamento (PSPs) entram nessa engrenagem, que também prevê mecanismos como o cashback.

A restituição de crédito tributário é outra promessa embutida no desenho. Pelo modelo, o contribuinte terá o crédito devolvido em até 90 dias.

A lógica do governo é concentrar toda a dificuldade dentro do sistema, deixando a ponta simples para quem usa.

‘Isso tem que ser feito num sistema interno em que a gente dilua a complexidade e ofereça um serviço simples para as empresas, usuários do serviço público e para os contribuintes. E acho que vamos conseguir fazer um excelente trabalho em dar uma solução tecnológica, de fácil acesso e com transparência para as pessoas’, disse Durigan.

A orientação dada à equipe, segundo ele, foi de que ‘tragamos para dentro do desenho do sistema essas complexidades’.

Nota fiscal com um clique

Um dos objetivos declarados é simplificar a rotina de pequenos empresários. Durigan cita o exemplo de quem vende bolo para ilustrar a proposta.

‘O ideal é que a Receita já dê a nota fiscal para a empresária que vende bolo. É claro que ela vai poder avaliar e chamar alguém que ajude. Mas o ideal é que ela só aperte um botão, emita uma única nota fiscal e resolva a vida dela’, afirmou.

A aposta é retirar o peso do cálculo do lado do contribuinte. ‘Não dá para pedir para a empresa fazer essa conta. A empresa tem só que apertar um botão e emitir a nota fiscal’, reforçou.

Para ele, o modelo tende a ficar mais fácil que o atual, mesmo com uma curva de adaptação.

‘Tem um papel de aprendizado, mas a ideia é que a reforma seja mais fácil do que como é hoje. Vemos empresas com soluções em que é só apertar um botão. Mas, por trás da síntese do produto, existe muito trabalho de bate e volta para entregar experiência de usuário’, disse.

O que muda a partir de 2027

O split payment acompanha a substituição gradual dos tributos atuais. A partir de 2027, IPI, PIS, Cofins, ICMS e ISS começam a ceder lugar à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), num processo que deve se estender até 2033.

Por fim, a documentação técnica da plataforma foi publicada em junho, marco apontado como decisivo pelos contribuintes. No entanto, em publicação, o Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual do Rio avaliou:

‘É a partir desse momento que os contribuintes começam a enxergar, na prática, como o split payment irá impactar contratos, sistemas, liquidação financeira e gestão de caixa das empresas’.

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