O que se sabe sobre o possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã
- 24/05/2026
Trump afirmou que entendimento para encerrar a guerra no Oriente Médio já foi ‘amplamente negociado’, mas Washington e Teerã ainda divergem sobre pontos centrais do pacto Foto: Alex Wong/Getty Images North America via AFP
Rede Viva News
Estadão - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado, 23, que Washington está perto de fechar um acordo com o Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz. Nas redes sociais, o líder americano deu poucos detalhes, mas disse que o entendimento preliminar já foi “amplamente negociado”.
O anúncio ocorreu poucas horas depois de Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, afirmar que americanos e iranianos estão na “fase final” da elaboração de um memorando e “podem chegar a uma solução mutuamente aceitável”.
Até a manhã deste domingo, 24, porém, ainda não estava claro exatamente o que havia sido acordado. Autoridades dos dois países descreveram os principais pontos da negociação de maneiras diferentes.
A declaração de Trump veio após uma intensa ofensiva diplomática para evitar a retomada da guerra em grande escala. Nos últimos dias, o presidente americano voltou a ameaçar novos ataques contra o Irã, enquanto Teerã endureceu o tom das declarações públicas.
Veja o que se sabe até agora sobre o possível acordo:
O que Trump e autoridades americanas disseram
Nas redes sociais, Trump afirmou ter conversado por telefone com líderes árabes, além de representantes do Paquistão e da Turquia, sobre um memorando relacionado à “PAZ”. Segundo ele, o acordo ainda depende de uma conclusão formal entre Estados Unidos, Irã e outros países envolvidos.
Dois integrantes do governo americano, sob condição de anonimato, disseram que um dos principais pontos do acordo prevê que o Irã entregue seu estoque de urânio altamente enriquecido.
Segundo essas autoridades, os detalhes sobre como isso aconteceria ficariam para uma rodada posterior de negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Outro ponto central envolve a liberação de bilhões de dólares em recursos iranianos congelados no exterior. Segundo os americanos, o Irã só teria acesso à maior parte desses recursos depois da assinatura de um acordo nuclear definitivo. O objetivo seria manter Teerã comprometido com as negociações.
O que o Irã disse
O governo iraniano ainda não respondeu oficialmente às declarações de Trump. Mas três autoridades iranianas ouvidas pelo New York Times afirmaram que Teerã concordou com um memorando para interromper os combates em todas as frentes da guerra, incluindo o Líbano, onde Israel enfrenta o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã.
Segundo essas fontes, o acordo também prevê a reabertura do Estreito de Ormuz sem cobrança de taxas, o fim do bloqueio naval americano e a liberação de US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados.
Ainda não está claro se essa proposta é exatamente a mesma mencionada por Trump.
As autoridades iranianas afirmaram ainda que o memorando não trata diretamente do programa nuclear do país. Segundo elas, um plano específico para lidar com o estoque de urânio enriquecido seria negociado apenas entre 30 e 60 dias após o acordo.
Reações
Mesmo sem detalhes completos do possível acordo, republicanos e setores mais duros contra o Irã reagiram rapidamente com críticas.
O senador Roger Wicker, presidente da Comissão de Serviços Armados do Senado americano, afirmou nas redes sociais que “um cessar-fogo de 60 dias baseado na ideia de que o Irã agirá de boa-fé seria um desastre”.
Uma autoridade israelense informou que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu conversou com Trump no sábado sobre o possível acordo.
Segundo essa autoridade, o entendimento atual estaria focado na reabertura do Estreito de Ormuz, o que abriria caminho para negociações mais amplas para encerrar a guerra.
Netanyahu também teria afirmado a Trump que o acordo não pode limitar a capacidade de Israel de agir contra ameaças na região, especialmente no Líbano.
Os confrontos entre Israel e Hezbollah continuam pressionando o cessar-fogo mais amplo com o Irã anunciado por Trump em abril.
O que ainda precisa ser resolvido
O possível acordo deixa em aberto algumas das questões mais delicadas envolvendo o programa nuclear iraniano.
Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã possui atualmente cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, nível considerado próximo do necessário para a produção de uma arma nuclear.
No acordo nuclear firmado em 2015 durante o governo Barack Obama, o Irã transferiu grande parte desse material para a Rússia, modelo que pode voltar a ser discutido.
Outra possibilidade seria diluir o urânio para níveis mais baixos de enriquecimento, impossibilitando seu uso militar.
Os Estados Unidos defendem uma moratória de 20 anos para o enriquecimento de urânio. O Irã, porém, propôs um prazo muito menor.
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