Como a China se tornou a maior potência em capacidade de energia nuclear do planeta
- 18/04/2026
Como a China se tornou a maior potência em capacidade de energia nuclear do planeta
Rede Viva News
Revista Fórum - A China ultrapassou todos os concorrentes e se consolidou como a maior potência nuclear do mundo em capacidade instalada. De acordo com o anuário setorial divulgado pela China Nuclear Energy Association (CNEA), o país atingiu 125 milhões de quilowatts (kW) de capacidade nuclear instalada, assumindo o primeiro lugar no ranking global. O país opera atualmente 60 reatores comerciais e tem outros 36 em construção — cifra que representa mais da metade de todos os reatores nucleares em edificação no planeta. Outras 16 unidades já foram aprovadas e aguardam início das obras.
Em 2025, a China iniciou a construção de duas novas unidades e prevê colocar sete em operação ainda este ano, mantendo sua posição de maior construtora nuclear do mundo. Entre 2015 e 2024, o país ergueu 37 reatores com prazo médio de 6,3 anos desde o primeiro concreto até a conexão à rede — abaixo da média global de 9,4 anos. O tempo mais rápido registrado no período foi de 4,1 anos.
O reator de terceira geração Hualong One, desenvolvido de forma autônoma pela China, entrou em fase de construção em série. Há mais de 40 unidades do modelo em operação ou construção dentro e fora do país, tornando-o o modelo de terceira geração com mais implantações comerciais no mundo.
Meta de 200 GW até 2040 e o 15º Plano Quinquenal
O período do 15º Plano Quinquenal (2026–2030) é descrito pelas autoridades chinesas como uma janela estratégica decisiva para o setor nuclear.
“Implementar profundamente a nova estratégia de segurança energética, acelerar a construção de um novo sistema energético limpo, de baixo carbono, seguro e eficiente, e construir uma potência energética. Promover a substituição segura, confiável e ordenada de combustíveis fósseis por energias não fósseis, aderindo ao desenvolvimento simultâneo de múltiplas fontes, como eólica, solar, hídrica e nuclear, e implementar a ação de duplicação da energia não fóssil em dez anos” – 15º Plano Quinquenal da China (2026–2030)
O documento também orienta o país a “mirar os principais campos que orientarão o desenvolvimento futuro”, incluindo tecnologias quânticas, biofabricação, hidrogênio e energia de fusão nuclear como vetores industriais prioritários.
Yang Changli, presidente rotativo da CNEA, informou que a capacidade nuclear instalada da China deve alcançar 200 milhões de kW até 2040.
Xi Jinping e a segurança energética
No mês de abril, o presidente Xi Jinping convocou a aceleração do planejamento e da construção de um novo sistema energético nacional.
Em pronunciamento transmitido pela emissora estatal CCTV, o líder enfatizou o desenvolvimento hidroelétrico, a proteção ecológica e a expansão segura e ordenada da energia nuclear.
“A trajetória que percorremos ao sermos os primeiros a desenvolver energia eólica e solar já se provou visionária”, disse Xi, acrescentando que a energia a carvão ainda constitui a base do sistema energético chinês e deve continuar cumprindo seu papel de suporte.
O presidente defendeu que “um novo sistema energético mais verde, diversificado e resiliente será uma garantia sólida para a segurança energética e o desenvolvimento econômico da China”.
Sete décadas de construção — da parceria soviética à autonomia tecnológica
- 1955 – China e URSS assinam o Tratado de Cooperação Atômica. Criada a China National Nuclear Corporation (CNNC). Primeiros estudantes enviados à União Soviética para aprender tecnologia nuclear.
- 1959 – A URSS encerra qualquer forma de assistência nuclear e retira seus técnicos, em meio ao racha sino-soviético. A China intensifica pesquisa própria: até 1963, constrói mais de 40 plantas de separação química de urânio e tório, investindo mais de US$ 1,5 bilhão apenas na planta de difusão gasosa de Lanzhou.
- 1984 – 1991 – Construção da Usina Nuclear de Qinshan, a primeira projetada e construída de forma autônoma pela China, conectada à rede em 15 de dezembro de 1991.
- 2012 – O presidente Hu Jintao enfatizou “o papel insubstituível da energia nuclear para garantir a segurança energética e combater as mudanças climáticas”.
- 2015 – 2024 – No período, a China construiu 37 reatores com um tempo médio desde o início da construção até a conexão à rede de 6,3 anos (superando a média global de 9,4 anos). O país também registrou o tempo de construção mais rápido nesse período, com apenas 4,1 anos.
- 2021 – o Comitê de Proteção Ambiental e Conservação de Recursos da China anunciou um plano de ação que enfatizou a implantação e o desenvolvimento da tecnologia de energia nuclear de próxima geração para reduzir as emissões de dióxido de carbono.
- 2024 – Think tank Information Technology and Innovation Foundation afirma que a China lidera ou equipara globalmente em tecnologia nuclear comercial, com vantagem estimada de 10 a 15 anos em reatores de quarta geração.
O futuro nuclear da China
O anuário da CNEA aponta que as principais potências nucleares estão acelerando o desenvolvimento de reatores modulares pequenos, reatores avançados de quarta geração, ciclo fechado de combustível nuclear e fusão nuclear controlada. A China planeja, durante o 15º Plano Quinquenal, integrar inteligência artificial, manufatura aditiva e materiais avançados à inovação em tecnologia nuclear, com foco em autossuficiência tecnológica de alto nível.
Lin Boqiang, diretor do Centro de Pesquisa em Economia de Energia da Universidade de Xiamen, avaliou que os avanços alcançados, apoiados em tecnologia própria e em uma cadeia produtiva doméstica madura, representam “um passo crucial na transformação energética do país”.
Em termos de capacidade prospectiva total, a China lidera com quase 125 GW em projetos anunciados e em construção, volume quase quatro vezes maior que o da Rússia, segundo colocada no ranking global. A projeção é de que o país supere os Estados Unidos não só na capacidade, mas também na produção de energia nuclear nos próximos anos.













