A proposta da Rússia aos BRICS para fugir da crise do Oriente Médio
- 17/04/2026
A proposta da Rússia aos BRICS para fugir da crise do Oriente Médio
Rede Viva News
Revista Fórom - A Rússia, maior exportadora mundial de trigo, propôs a criação, em conjunto ao BRICS e à União Econômica Eurasiática, de estoques de alimentos compartilhados para evitar novos choques de oferta no mercado internacional.
A reserva envolveria culturas estratégicas (como trigo, milho e arroz), mas também fertilizantes.
A escalada do conflito envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos tem provocado impactos diretos em um dos pontos mais sensíveis do comércio global: o Estreito de Ormuz, rota importante para a exportação de derivados do petróleo, mas também responsável por um terço do comércio mundial de fertilizantes.
A interrupção do transporte compromete o acesso a insumos essenciais à prática agrícola, como os fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos, dos quais depende metade da produção global de alimentos.
Com a proposta russa, seriam criadas cadeias de abastecimento para reduzir a dependência dos BRICS em relação aos mercados ocidentais.
O Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. A Rússia, por sua vez, produz um quarto do nitrato de amônia do mundo, essencial à agricultura brasileira.
A União Econômica Eurasiática, que inclui países como Cazaquistão, Belarus, Armênia e Quirguistão, já constitui uma base relevante de produção agrícola, especialmente de grãos; em conjunto ao BRICS, formado por potências do setor de commodities agrícolas, as reservas poderiam alcançar mercados de larga escala.
Com os bloqueios em Ormuz, a produção agrícola russa poderia cair até 50% em culturas mais dependentes de insumos fertilizantes, o que teria efeitos inflacionários graves na economia do país, em guerra há quatro anos.
O país se viu obrigado a interromper suas exportações de nitrato de amônio para garantir o novo ciclo interno de plantios, o que causou preocupação nos mercados importadores.
A crise, no entanto, é também uma janela de oportunidade para Moscou, que tem reorientado sua demanda para os países do Sul Global conforme vem sendo ostracizada pela Europa.
Os principais mercados para as exportações agrícolas do país são África, América Latina e Oriente Médio, e a meta é ampliar as exportações para esses lugares na próxima década.
Para países importadores, especialmente no Sul Global, a diversificação de fornecedores e a participação em mecanismos cooperativos podem ser decisivas para mitigar riscos da crise atual.













