68 gigawatts de energia: Brasil alcança marco mundial e ultrapassa previsões de capacidade solar instalada

  • 14/03/2026

68 gigawatts de energia: Brasil alcança marco mundial e ultrapassa previsões de capacidade solar instalada

68 gigawatts de energia: Brasil alcança marco mundial e ultrapassa previsões de capacidade solar instalada

Rede Viva News

Revista Fórum - O Brasil já tem cerca de 68 gigawatts (GW) de capacidade instalada em energia solar, segundo dados mais recentes divulgados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

O valor ultrapassa o patamar estimado pela Agência Internacional de Energia (IEA) para 2027 e coloca o Brasil entre os principais mercados internacionais de energia solar.

Na última década, a energia solar se tornou a segunda maior fonte na matriz energética brasileira, com mais de 23% de participação total. A maior parte vem de geração própria, com grandes usinas somando mais de 17,95 GW da capacidade instalada.

No início de 2026, foram mais 7 GW adicionados à capacidade total do setor, que já acumula mais de R$ 251 bilhões em novos investimentos desde 2012.

Em um relatório divulgado em 2022, a IEA projetava que o Brasil poderia triplicar sua capacidade solar operacional, então estimada em cerca de 22,9 GW, até o final de 2027, quando atingiria 66 GW de potência.

Mas o setor, de acordo com informações da ANEEL, já atingiu mais de 67 GW somando-se a geração centralizada (em grandes usinas conectadas ao sistema elétrico nacional) e a geração distribuída, isto é, as células fotovoltaicas instaladas em residências, comércios, propriedades rurais e indústrias.

O crescimento vem, em parte, dos incentivos fiscais concedidos pelo governo brasileiro, que reduz tributos federais à modalidade energética, além de fomentar projetos através de programas como o REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura), que suspende a cobrança de PIS/PASEP e COFINS (no total) sobre a compra de materiais, máquinas e serviços destinados a projetos de infraestrutura.

Apesar do aumento no imposto de importação sobre painéis solares aprovado no final de 2024 (que passou de 9,6% para 25% em alguns casos), o governo oferece alíquota reduzida de IPI, PIS e COFINS sobre equipamentos de geração de energia solar e uma depreciação acelerada para empresas que adotam essa matriz.

Há também linhas de crédito específicas oferecidas pela Caixa e pelo Banco do Brasil (como o BB Crédito Energia Renovável) para financiar projetos de instalação de células de energia solar, inclusive em habitações sociais partes do programa Minha Casa, Minha Vida.

No segmento de usinas solares, o Brasil já conta com cerca de 21,5 GW de capacidade instalada, concentrada principalmente em áreas do Nordeste conectadas ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), responsável por coordenar a operação do sistema elétrico brasileiro.

Apesar da expansão recorde, a energia solar ainda enfrenta alguns gargalos de regulação na legislação brasileira, como a chamada inversão de fluxo nas redes de distribuição, que ocorre quando a energia gerada pelos consumidores retorna para a rede elétrica local em volumes superiores ao consumo da região.

Segundo estimativas do setor, somado aos cortes obrigatórios de geração em grandes usinas quando o sistema elétrico não consegue absorver toda a energia produzida, essas perdas já provocaram o desperdício de energia equivalente ao consumo anual de aproximadamente 26 milhões de residências brasileiras.

De acordo com o CEO da ABSOLAR, Rodrigo Sauaia, será necessário ampliar investimentos, nos próximos anos, em linhas de transmissão e redes elétricas mais modernas, além de sistemas de armazenamento (como baterias em larga escala), a fim de permitir um melhor aproveitamento da energia solar gerada durante períodos de alta produção.

A matriz energética brasileira é uma das mais renováveis do mundo, com cerca de 47–48% proveniente de fontes renováveis (biomassa, hídrica, eólica e solar). Em 2024, até 90% da energia elétrica gerada no Brasil veio de fontes renováveis, de acordo com o Ministério de Minas e Energia.


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