China manda recado a Trump e Netanyahu na Assembleia Geral da ONU

  • 27/09/2025

China manda recado a Trump e Netanyahu na Assembleia Geral da ONU

China manda recado a Trump e Netanyahu na Assembleia Geral da ONU

Revista Fórum

Em seu discurso na 80ª Assembleia Geral da ONU (UNGA), o primeiro-ministro da China, Li Qiang, representando o presidente Xi Jinping nesta sexta-feira (26), em Nova York (EUA), fez um apelo à paz, solidariedade, multilateralismo e cooperação internacional.

Ao abordar a desaceleração econômica global, Li ressaltou que as tarifas crescentes e medidas unilaterais têm agravado a crise atual, desafiando as nações a se unirem em busca de soluções mais justas e equilibradas.

Embora não tenha mencionado Donald Trump diretamente, a crítica se direcionou claramente às políticas protecionistas e ao aumento das tarifas por parte dos Estados Unidos.

Li alertou que, em meio ao crescimento global lento, é essencial revitalizar a cooperação entre os países, buscando resultados que beneficiem a todos.

“Uma das principais causas da atual crise econômica global é o aumento de medidas unilaterais e protecionistas, como o aumento de tarifas e a construção de barreiras e muros. Devemos colaborar mais estreitamente para identificar e expandir as convergências de interesses, promover uma globalização econômica universalmente benéfica e inclusiva, e ajudar uns aos outros a ter sucesso”, afirmou o premiê chinês, reforçando a necessidade de um esforço conjunto para superar os desafios globais.

Recado a Netanyahu

"A humanidade mais uma vez chegou a um ponto de inflexão", afirmou Li. Com palavras fortes, ele trouxe à tona questões urgentes sobre o atual estado do mundo, desafiando líderes globais a refletirem sobre as duras lições do passado e a necessidade de escolhas mais racionais e solidárias para moldar o futuro.

Em um tom crítico, o premiê chinês questionou a postura global diante de atrocidades e crises humanitárias, fazendo uma clara alusão ao genocídio perpetrado pelo Estado de Israel, sob a liderança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, contra a população palestina em Gaza. Ele alertou sobre os riscos da indiferença diante da violência e da injustiça.

"Como podemos, diante de incidentes deploráveis, como desastres humanitários, fechar os olhos para as atrocidades? Como podemos permitir que partes que pisoteiam a justiça e a equidade se sentem de braços cruzados? Como podemos, quando confrontados com atos de hegemonismo e bullying, permanecer em silêncio e submissos por medo do poder?" provocou Li, reforçando a urgência de uma ação global mais firme e ética.

80 anos da vitória contra o fascismo

Li Qiang iniciou seu pronunciamento destacando o 80º aniversário da vitória na Segunda Guerra Mundial Anti-Fascista e o aniversário de fundação da ONU. Ele lembrou a coragem e o sacrifício de homens e mulheres ao redor do mundo que derrotaram o fascismo e, com isso, pavimentaram o caminho para a criação das Nações Unidas.

"Há 80 anos, as Nações Unidas foram fundadas com o ideal de um mundo livre de guerra", disse Li, reforçando a importância de manter esse legado de paz e segurança mundial.

Ele também sublinhou as transformações globais desde então, com a humanidade avançando da era da eletricidade e computadores para a era digital e inteligente, mantendo, porém, o mesmo ideal de tornar o mundo um lugar melhor.

Paz e desenvolvimento como aspirações globais

O premiê ressaltou a importância da paz e do desenvolvimento como as maiores aspirações dos povos ao redor do mundo, enfatizando que o crescimento econômico global foi possível devido ao ambiente internacional pacífico que prevaleceu nos últimos 80 anos.

"Cabe a nossa geração fortalecer ainda mais a força pela paz e pelo desenvolvimento", disse Li, destacando que as lições das duas grandes guerras mundiais jamais devem ser esquecidas.

Solidariedade e cooperação: chaves para o progresso humano

Em seu discurso, Li Qiang reiterou que a solidariedade e a cooperação são as forças mais poderosas para o progresso humano. Ele lembrou o exemplo histórico da Segunda Guerra Mundial, quando países com sistemas e culturas diferentes se uniram, superando suas diferenças para prevalecer.

"Solidariedade eleva todos, enquanto a divisão arrasta todos para baixo", afirmou, destacando a importância da união global para enfrentar os desafios contemporâneos.

Justiça, equidade e multilateralismo

Li Qiang alertou que, em tempos de crescente tensão geopolítica, é essencial que o mundo seja guiado pela justiça e equidade.

"Quando a força dita o direito, o mundo corre o risco de divisão e retrocesso", disse ele, defendendo que todos os países devem ser tratados com igualdade e que o verdadeiro multilateralismo é fundamental para a proteção dos direitos globais.

China e suas iniciativas globais

O premiê chinês, Li Qiang, reforçou em seu discurso o compromisso da China com iniciativas estratégicas, como a Iniciativa de Desenvolvimento Global e a Iniciativa de Governança Global. Ele destacou que o país está determinado a promover a paz e a segurança internacional por meio da cooperação com outras nações e do fortalecimento da autoridade das Nações Unidas.

Em relação ao futuro, Li afirmou que a China continuará a apoiar a governança global e a colaborar com países em desenvolvimento na construção de um mundo mais justo e equitativo.

"A China trabalhará com a ONU para estabelecer um Centro de Desenvolvimento Global Sul-Sul e fornecerá US$ 10 milhões em apoio orçamentário", disse o premiê, sublinhando o compromisso com a cooperação internacional.

Para ele, a verdadeira força nasce da união e não da divisão, mensagem que reforça a importância da solidariedade como eixo central da política externa chinesa.

Com esse foco, a China reafirma seu papel de parceiro estratégico na busca por uma ordem mundial mais equilibrada, solidária e sustentável.

Um chamado à ação global

Li Qiang concluiu seu discurso com um forte chamado à ação global, pedindo que os países se unam em torno de uma visão de futuro compartilhado, baseado na paz, solidariedade, justiça e cooperação.

Ele destacou que, embora não possamos voltar no tempo para reviver vitórias passadas, temos a capacidade de construir um futuro melhor juntos, com todos os países colaborando de boa-fé.

O discurso de Li foi uma reafirmação do papel da China na promoção da paz mundial e do desenvolvimento sustentável, convidando os países a trabalharem juntos para um futuro mais harmônico e próspero para todos.


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